Por que real é de longe moeda que mais perdeu para o dólar no mundo e o que esperar de 2025

Das vinte moedas mais negociadas no mundo, apenas três não se desvalorizaram diante da americana; real brasileiro lidera o ranking

dólar fechou mais um dia em alta nesta quarta-feira (18/12), em R$ 6,26, o que representa um novo recorde.

É o segundo dia seguido que a moeda americana ultrapassa R$ 6,20.

Na terça-feira (17), após atingir esse patamar, a moeda caiu e fechou em R$ 6,09, o que ainda assim representou uma cotação de fechamento inédita.

A disparada neste final de ano, que levou o dólar acima de R$ 6 e bater recordes em sequência, fez com o real brasileiro se consolidasse como a que mais se desvalorizou até agora em 2024 entre as mais negociadas no mundo.

Isso em um ano marcado pela grande desvalorização das maiores moedas do mundo diante do dólar.

Entre as 20 mais negociadas, apenas três delas não se desvalorizaram diante da moeda americana —segundo dados até a manhã desta quarta e, desde então, o valor do real em relação ao dólar caiu ainda mais.

Em 1º de janeiro de 2024, um dólar valia R$ 4,85. Na manhã desta quarta-feira, um dólar valia R$ 6,12 —uma desvalorização de quase 21%.

Apenas quatro outras moedas desvalorizaram em dois dígitos contra o dólar este ano: o peso mexicano (16%), a lira turca (16%), o rublo russo (15%) e o won sul-coreano (10%).

Outras moedas também tiveram desvalorização contra o dólar: o iene japonês (8%), o dólar canadense (8%), o dólar australiano (7%), o franco suíço (6%) e o euro (5%).

As únicas que não sofreram diante do dólar americano foram o dólar de Hong Kong (que se valorizou 0,6%), o rand sul-africano (que se valorizou 1%) e a libra esterlina britânica (que chega nas últimas semanas do ano com cotação praticamente igual).

Confira abaixo alguns dos motivos das desvalorização das moedas no mundo e no Brasil, e também um panorama do que pode acontecer no próximo ano —quando os Estados Unidos estarão sob nova liderança.

1. A valorização do dólar no mundo

O movimento de valorização do dólar e desvalorização das demais moedas é mundial.

Após a pandemia, o banco central americano elevou os juros básicos de sua economia, para controlar um surto de inflação no país. Os preços haviam subido por conta de conflitos internacionais e um desalinhamento de cadeias internacionais de produção por causa da pandemia.

Essa alta de juros americanos atrai capital do mundo todo. Investidores são atraídos pela perspectiva de bons retornos em papéis com relativamente baixo risco —no caso, títulos do governo dos EUA.

Quando o capital sai desses outros países, existe uma grande demanda nos mercados por dólares e uma oferta grande de moeda estrangeira: o que provoca a valorização do dólar e a desvalorização das demais (entre elas o real brasileiro).

As moedas de países emergentes são as que costumam se depreciar mais —já que muitos investidores estão nesses países justamente para aproveitar juros altos. E é desses países que costuma sair o maior fluxo de capital rumo ao mercado americano.

Ao longo de 2024, havia a expectativa no mercado de que o banco central americano fosse cortar os juros da economia do país. Esse movimento “empurraria” capital internacional para os mercados estrangeiros.

Mas dados oficiais mostraram que a inflação nos EUA não estava caindo no ritmo esperado. E a economia americana continuou se acelerando ao longo de 2024, o que também gerou mais inflação e retardou a queda dos juros.

O tão esperado corte de juro americano só começou a acontecer em setembro —e em um ritmo ainda tímido.

Por isso, o dólar seguiu com cotações altas ao longo do ano. E esse movimento se acentuou ainda mais em novembro, quando Donald Trump derrotou Kamala Harris nas eleições americanas.

“Estamos vendo uma depreciação muito grande não só do real como de todas moedas emergentes após a eleição de Donald Trump, que tem uma agenda política de maior internalização da economia americana e maior restrição da imigração. Isso são duas medidas muito inflacionárias para a economia americana”, diz Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual, no canal de vídeo do banco.

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