Novo IOF corresponde a alta de até 0,50 ponto na Selic e deve influenciar BC, estimam economistas

Crédito para as empresas fica mais restrito, com impacto principalmente para empréstimos de curto prazo

Eduardo Cucolo São Paulo

aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre operações de crédito anunciado na última quinta-feira (22) equivale a uma alta entre 0,20 e 0,50 pontos percentuais na taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano. O impacto que deve contribuir para que o Banco Central descarte um novo aumento da Selic neste ano, segundo analistas.

Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, calcula um impacto para as empresas de 1% ao ano, considerando o prazo e o custo médio da carteira de crédito das pessoas jurídicas que estão fora do Simples Nacional.

O governo elevou o IOF sobre empréstimos a pessoas jurídicas de uma cobrança fixa de 0,38%, mais 1,5% ao ano, para 0,95% fixos mais 3% ao ano —ou seja, de um teto de 1,88% para 3,95% ao ano. Para as microempresas, esse teto sobe de 0,88% para 1,95% ao ano.

Como uma parte desse custo é fixo, empréstimos de curto prazo são mais onerados proporcionalmente do que operações por prazos maiores, nas quais essa taxa é mais diluída.

A Warren calcula que esses aumentos equivalem ao efeito de uma alta da taxa básica entre 0,20 e 0,30 ponto percentual, considerando somente o efeito sobre o canal do crédito pessoa jurídica.

“Isso contribui para uma política monetária mais restritiva. Com esse aumento, que é relevante para o canal de crédito, temos visto mais gente convergindo para o cenário da Warren, que não vê mais um aumento de 0,25 [na taxa Selic]”, afirma Vital.

A XP Investimentos estima que o aumento na alíquota do IOF sobre operações de crédito para empresas corresponde a uma elevação entre 0,25 e 0,50 ponto percentual na taxa básica. Diante disso, a instituição financeira também avalia que o BC não irá aumentar os juros na reunião do Copom marcada para junho.

Leandro Vilain, CEO da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), afirma que o aumento de mais de 100% no IOF vai levar a uma menor oferta de crédito e aumento da inadimplência, inviabilizando a operação de algumas empresas de pequeno porte. Especialmente nos casos em que há um giro rápido das operações, com a tomada de crédito várias vezes durante o ano.

“Se você chegar em uma alíquota da ordem de 10%, essas empresas não têm margem para pagar. Ele vai ter duas alternativas, fechar o negócio ou onerar o preço”, afirma. “O aumento da carga tributária para atingir essas metas [fiscais] não parece ser uma equação sustentável por muito tempo.”

Segundo a ABBC, muitos bancos ainda têm dúvidas sobre a implementação das medidas anunciadas em algumas operações, como antecipação de recebíveis com ou sem co-obrigação e o alcance em relação às cooperativas. Dúvidas que também contribuem para travar algumas operações.

O governo também fez ajustes na tributação do IOF de outras operações, como seguros e câmbio. Não houve alteração na contratação de crédito por pessoas físicas.

Uma das medidas, a cobrança sobre financiamento e antecipação de pagamentos a fornecedores (conhecida como “forfait” ou “risco sacado”), entra em vigor em 1º de junho.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) afirma que o aumento do IOF terá como consequência a elevação de custos para as empresas, inclusive do setor industrial, já penalizadas pela distribuição tributária desigual e pela dificuldade de acesso ao crédito. “Sobretudo em um ambiente marcado por taxa básica extremamente contracionista e spreads bancários excessivamente elevados.”