Governo Lula teme novo salto da inflação com tarifaço de Trump contra o Brasil

Receio é o de que a crise dure muitos meses, o que pressionaria o dólar

O governo Lula teme que a sobretaxa de 50% aplicada por Donald Trump sobre todos os produtos brasileiros vendidos aos EUA leve a um novo salto da inflação no Brasil.

LEITE AZEDO

Os índices de preços, ainda que fora da meta, vinham caindo há quatro meses, influenciados também pela queda consistente do dólar no mesmo período.

AZEDO 2

De março a abril, a moeda norte-americana caiu de R$ 5,68 para cerca de R$ 5,40.

BORRACHA

Na quinta (10), dia seguinte ao anúncio de Trump, todos esses ganhos foram perdidos diante do receio de uma escalada e de uma disputa prolongada entre os dois países: o dólar deu um salto, e chegou a ultrapassar o valor de R$ 5,62.

CRONÔMETRO

O temor do governo é o de que a crise com Trump dure muitos meses, o que pressionaria ainda mais a moeda norte-americana. A incerteza levaria investidores de curto prazo a retirarem recursos do Brasil, alterando o fluxo de dinheiro para o Brasil. Os de longo prazo pisariam no freio antes de colocarem seu dinheiro no país. O Investimento Direto Estrangeiro pode cair.

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A consequente queda prolongada do real, num segundo momento, desestimularia ainda mais os investidores. Com menos dólares, o preço da moeda norte-americana daria mais um salto.

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É por isso que, embora as exportações do Brasil para os EUA correspondam a apenas 12% de tudo o que o país vende ao exterior, os fantasmas de uma longa disputa já assombram setores do governo. Ainda que o país possa vender e comprar de outras nações, todo o comércio internacional é feito em dólar. Se a moeda sobe, o preço de todos os produtos também sobe.

PESO PESADO

O aumento de preços ainda é uma das maiores preocupações de Lula, com impactos diretos em sua popularidade.

LISTA

Na quinta (10), ao falar no Congresso sobre taxa de juros, o presidente do Banco CentralGabriel Galípolo, mostrou itens com inflação superior a 6% ao ano.

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A lista inclui legumes, hortaliças e verduras, frutas, carnes, aves, ovos, panificados, bebidas, energia elétrica residencial, roupas, produtos farmacêuticos, serviços médicos e dentários, planos de saúde e produtos de higiene pessoal.

CONTROLE

Já o impacto do tarifaço de Trump na balança comercial brasileira é considerado um risco, mas limitado: as exportações do Brasil para os EUA correspondem a 12% de tudo o que o país vende para o exterior.