Governo Lula e empresários agora miram fim de tarifas dos EUA para indústria
- Trump manteve sobretaxa de 40% para produtos industriais brasileiros apesar de isenções agrícolas
- Ex-secretário de Comércio Exterior também cita riscos com investigação em curso
Enquanto comemoram o fim da sobretaxa sobre os principais produtos agropecuários exportados para os Estados Unidos, governo e empresários brasileiros se preparam para os próximos desafios: reduzir a taxação para produtos industriais e evitar sanções relacionadas a uma investigação que já penalizou China e União Europeia.
A lista divulgada nesta quinta-feira (20) pelo governo Donald Trump livra da tarifa adicional de 40% produtos como carne, café e frutas. Foram contemplados poucos bens industriais, como alguns químicos e peças e partes para aeronáutica que não estavam na primeira leva de exceções ao tarifaço sobre o Brasil.
“É bom lembrar que muito produto industrial continua com 40%. Entrou café, mas não entrou café solúvel. Então, o Brasil continua sendo afetado”, diz Welber Barral, sócio-fundador da BMJ e ex-secretário de Comércio Exterior.
Ele também afirma que produtos como aço, alumínio, madeira, móveis e cobre continuam tarifados em 50% por causa de outra medida sancionatória.
“E você tem ainda a investigação da 301, que não terminou e que o Brasil vai ter que negociar”, diz o especialista, citando a apuração que avalia práticas do país em áreas como comércio eletrônico e tecnologia, taxas de importação e desmatamento.
A chamada seção 301 autoriza o governo dos EUA a retaliar, com medidas tarifárias e não tarifárias, qualquer nação estrangeira que tome práticas vistas como injustificadas e que penalizam o comércio americano. China e União Europeia já foram alvo.
Técnicos do governo brasileiro também afirmam que as negociações agora estarão focadas em retirar da lista bens manufaturados que continuam sobretaxados, como máquinas e equipamentos e madeira.
“O Brasil seguirá mantendo negociações com os EUA com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral”, disse em nota a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
A Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) é outra entidade que cita a negociação sobre bens industriais como prioridade neste momento.
“A Amcham reforça a necessidade de intensificar esse diálogo entre Brasil e Estados Unidos, com o objetivo de estender a eliminação dessas sobretaxas aos demais produtos ainda impactados —com destaque para bens industriais— e de aprofundar a cooperação bilateral em temas de interesse mútuo.”
O presidente-executivo da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, também destaca que a decisão de Trump é muito bem-vinda, mas deixou de fora os bens industriais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou decreto nesta quinta-feira (20) que retira as tarifas de 40% sobre alguns produtos agrícolas vendidos pelo Brasil.
Estão incluídos na lista carne e café, produtos importantes da pauta exportadora brasileira. Ao todo, são mais de 200 itens agrícolas e da pecuária, incluindo alguns fertilizantes à base de amônia.
Em comunicado, Trump cita a conversa que teve por videoconferência com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O republicano afirma que ouviu opiniões de outras autoridades no sentido de que as tarifas não são mais necessárias porque “houve progresso inicial nas negociações com o governo do Brasil”.
O presidente Lula afirmou estar feliz com a decisão, em discurso nesta quinta-feira (20), na prévia do Salão do Automóvel de São Paulo.



