Economistas esperam Selic a 15% e fim do ciclo de altas nesta semana, aponta Focus

Investidores ouvidos pelo BC erraram na previsão da última reunião realizada em junho

Fernando NarazakiSão Paulo

Os economistas ouvidos pelo Banco Central acreditam que o Copom (Comitê de Política Econômica) manterá a taxa de juros em 15% na reunião que começa nesta terça-feira (29) e terá o resultado anunciado no dia seguinte.

No boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (28), os analistas preveem também que a Selic deve permanecer no atual patamar até o final do ano.

Caso a previsão desta semana se confirme, o comitê interromperá uma série de altas que persiste há sete reuniões. Em 31 de julho, a taxa estava em 10,5%, mas em 18 de setembro ela foi para 10,75%. Em 6 de novembro, o índice subiu mais 0,50 ponto percentual.

Depois disso, foram três altas seguidas de um ponto percentual a cada reunião, o que fez a Selic saltar para 14,25% em 19 de março deste ano. Em 8 de maio, o aumento voltou para 0,5 ponto percentual, o que levou a taxa de juros básica para 14,75%. Já em 18 de junho, a alta foi de 0,25 ponto percentual.

Antes da última reunião, em junho, o boletim Focus apontava que a Selic seria mantida em 14,75%, mas o Copom decidiu aumentar para 15%.

O levantamento feito pelo BC com os economistas mostrou que a Selic deve ser de 12,5% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028.

Os analistas voltaram a reduzir a previsão da inflação neste ano para 5,09%, uma diminuição de 0,01 ponto percentual em relação à última semana. É a nona semana seguida que cai a perspectiva para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Apesar da queda, a previsão continua acima do teto da meta estipulado pelo Banco Central. O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Na semana passada, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) acelerou a 0,33% em julho, após marcar 0,26% em junho.

A alta da energia elétrica (3,01%) e da passagem aérea (19,86%) pressionou o IPCA-15 em julho. O índice, por outro lado, teve alívio com a segunda queda consecutiva da alimentação no domicílio (-0,4%) e da gasolina (-0,5%).

Os economistas reduziram também a previsão para o dólar, que caiu de R$ 5,65 para R$ 5,60. Já o PIB (Produto Interno Bruto) foi mantido em 2,23% neste ano, mas a perspectiva para 2026 subiu de 1,88% para 1,89%.