Entidades da cadeia de pneus se reúnem na FIESP para alinhar agenda conjunta do setor

Representantes das principais entidades da cadeia de pneumáticos se reuniram na última sexta-feira, 5 de dezembro, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para discutir os crescentes desafios enfrentados pelo setor em 2025 e iniciar a construção de uma agenda estratégica unificada para 2026.

O encontro foi promovido pela Associação dos Reformadores de Pneus do Estado de São Paulo (ARESP) e contou com a participação da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP), da Associação dos Revendedores de Pneus (ARES), da Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), da Associação Nacional da Indústria de Pneus (ANIP), da Associação Brasileira dos Concessionários Bandag (ASSOBAN), da Associação das Revendas Independentes de Pneus (ABRAP), da Associação Nacional dos Reformadores Autorizados Vipal (ARVIP), da Associação Brasileira dos Revendedores de Pneus (ABRAPNEUS) e do Sindicato das Indústria de Artefatos de Borracha da Reforma de Pneus no Estado de São Paulo (SINDIBOR).

A conjuntura atual do mercado, marcada pela retração da demanda interna, deterioração do canal de reposição, crescimento da informalidade e pressões regulatórias e ambientais, levou as entidades a reforçarem a necessidade de cooperação. A reunião teve como objetivo consolidar percepções e identificar frentes prioritárias de atuação conjunta.

Durante o encontro, a ARESP apresentou uma proposta inicial de cinco eixos estruturantes para orientar debates e ações ao longo de 2026. Os temas englobam informalidade sistêmica, defesa comercial, recuperação da reposição, sustentabilidade e política industrial. Todos foram reconhecidos como urgentes pelas entidades presentes.

Informalidade e defesa comercial

O primeiro eixo discutido abordou a expansão da informalidade na cadeia, vista pelos participantes como a principal distorção competitiva do setor. Práticas como venda direta sem controle, sonegação fiscal e oferta de pneus sem certificação ou logística reversa em plataformas digitais vêm pressionando toda a estrutura formalizada de distribuição, varejo e reforma.

No campo do comércio exterior, as entidades convergiram sobre a necessidade de maior rigor das autoridades brasileiras diante do avanço dos importados com preços considerados incompatíveis com condições normais de mercado. Relatos de subfaturamento, triangulação de origem e assimetrias regulatórias foram apresentados ao longo da reunião.

Para o presidente da ANIP, Rodrigo Navarro, “o retrato do ano é muito ruim para a indústria, especialmente pelo acirramento da concorrência com pneus importados, que seguem entrando no país a valores muitas vezes inferiores ao custo de produção”, disse. Navarro destacou que o setor busca condições isonômicas de atuação no Brasil, seja para fabricantes ou importadores, incluindo o cumprimento de normas ambientais e de conformidade técnica.

Já o presidente da ABIDIP, Ricardo Alipio da Costa, ressaltou que a entidade representa os principais importadores de pneus do Brasil destinados ao mercado de reposição e que atuam de forma legal, pagando tributos e cumprindo integralmente as obrigações ambientais de pneus inservíveis. “Mas há uma avalanche de empresas cadastradas no IBAMA que não cumprem a logística reversa por falhas no sistema de fiscalização, que necessita urgentemente de aperfeiçoamento”, ponderou.

Ricardo Alipio ressaltou que há forte convergência com a ANIP nessa pauta essencial, além do combate à competição desleal, ao subfaturamento e à entrada de pneus contrabandeados que desequilibram o mercado.

Mercado de reposição, sustentabilidade e política industrial

As entidades também trataram da queda do mercado de reposição, que acumula retração de 7% em 2025 segundo dados do último levantamento divulgado pela ANIP.

A perda de margens, a migração de consumidores para canais paralelos e a redução do fluxo de carcaças qualificadas para reforma foram apontadas como efeitos diretos do ambiente competitivo adverso. Houve consenso sobre a necessidade de resgatar valor para o canal formal de reposição. A venda direta de pneus às transportadoras realizada pelas fabricantes instaladas no Brasil foi duramente criticada pela ABRAPNEUS.

Outro eixo relevante da pauta foi a sustentabilidade. Com a revisão da resolução Conama 416/2009 e o avanço das obrigações ambientais, os participantes defenderam a uniformização de responsabilidades entre produtos nacionais e importados, além de mecanismos mais robustos de rastreabilidade. ANIP e ABIDIP defenderam uma maior transparência dos órgãos governamentais em relação à fiscalização da capacidade produtiva das empresas de reciclagem de pneus “versus” o volume de certificados de destinação de pneus inservíveis emitidos. O setor vê a recapagem como um pilar estratégico da economia circular e pretende consolidar esse discurso de forma conjunta.

As discussões avançaram sobre política industrial, incluindo o Programa MOVER e novas normas de certificação do Inmetro. As entidades identificaram

oportunidades para fortalecer a competitividade do setor por meio de inovação, eficiência energética e padronização técnica, desde que fabricados e importados sejam submetidos às mesmas exigências.

Próximos passos

Como encaminhamento das frentes identificadas, as entidades avaliaram a criação de grupos de trabalho intersetoriais, a elaboração de um documento conjunto denominado a “Agenda 2026 da Cadeia de Pneus” e a realização de reuniões trimestrais para monitorar avanços. A ARESP reforçou que a proposta está aberta a contribuições e ajustes para consolidar posições convergentes.

O encontro terminou com a sinalização de que o setor buscará ampliar a interlocução com governo federal, Congresso Nacional, órgãos reguladores e plataformas de comércio eletrônico, com o objetivo de estabelecer condições mais equilibradas de concorrência e fortalecer a sustentabilidade econômica e ambiental da cadeia de pneus no país.

Contatos para a Imprensa

MLP Assessoria de Imprensa
Mário Pereira (MTB. 11.549) – mario@mlpcom.com.br
Karen Kornilovicz (MTB. 25.744) – karen@mlpcom.com.br
Tel.: (11) 99125-5897

Associe-se

Ao se tornar associado, sua empresa ganha voz ativa em um setor estratégico da economia. Oferecemos suporte em questões jurídicas, ambientais e regulatórias, além de promover networking e acesso a informações exclusivas do mercado de pneus.