Nov10

ABIDIP alerta: os preços dos pneus vão subir e os fretes também

Por Milton Favaro Junior*

O cenário de médio e longo prazo para a economia brasileira aponta para um quadro catastrófico, com o nível de desemprego aumentando, sem dúvida alguma, e muitas dúvidas da sociedade e dos empresários em torno do novo governo.

A grande questão é que os preços de produtos importantes, como energia elétrica, água e saneamento já estão subindo e dois outros fatores preocupam ainda mais: os preços dos combustíveis - que acabam de sofrer majoração e devem aumentar ainda mais nos próximos meses -, e o custo dos pneus para caminhões e ônibus – que subirão por tabela.

Por que os preços de pneus também vão subir? Porque a indústria nacional não consegue produzir o suficiente para atender a demanda interna, porque ela é responsável por 34% das importações de pneus de veículos de passeio, por 47% das compras externas de pneus de carga (caminhões e ônibus), por mais de 70% das importações de pneus agrícolas e por mais de 60% dos pneus industriais que entram no mercado brasileiro. Como o dólar subiu, a importação ficou mais cara, assim como a inflação, que está tonando a vida dos brasileiros cada dia mais difícil.

Nessa equação de juros mais altos, de câmbio volátil (e subindo), de inflação sendo revisada para cima e de expectativa de baixíssimo crescimento da economia, a Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP), chama a atenção da sociedade brasileira: devemos ficar atentos a um fator muito preocupante que é o possível anúncio, pelo Governo Federal, de aplicação de novas taxas por antidumping sobre pneus de caminhões e ônibus que hoje são importados de seis países considerados parceiros comerciais do Brasil. São eles, a África do Sul, Rússia, Coréia do Sul, Taiwan, Japão e Tailândia.

Aqui cabe ressaltar um aspecto muito importante: a indústria brasileira não importa pneus de nenhum desses países - eleitos pela defesa comercial desejada pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) e, mais que isso, estão fora de qualquer possibilidade de antidumping os países que fornecem pneus a esse pequeno grupo de multinacionais transvestidas de empresas brasileiras.

Os países sobre os quais a indústria brasileira realiza suas compras de pneus estão fora da análise por dumping por um motivo simples. A ANIP não vai pedir ao governo que investigue o que ‘eles’ fazem, e nem mesmo você, eu, a ABIDIP ou a sociedade podemos pedir que o governo faça essa análise sobre os países que exportam pneus para a indústria. Portanto, o que vale para eles, não vale para nós.

Caso o Governo Federal opte por taxar os seis países que fornecem pneus de caminhão e ônibus ao País, o Brasil ficará praticamente com um oligopólio nas importações, e, dessa forma, não teremos mais pneus de várias origens à disposição do consumidor.

Antevendo o futuro, o que ocorrerá é que sem ampla oferta de produtos, a indústria consolidará o campo de ação para aumentos contínuos de preços, como já vem fazendo ao longo de todos os meses do ano.

Estamos alertando a sociedade, os consumidores, as empresas de transportes e frotistas: ao praticar a sobretaxa por dumping sobre seis parceiros comerciais do Brasil, o Governo Federal estará desestruturando  a cadeia de abastecimento de pneus, estará gerando desemprego no setor, estará reduzindo a geração de impostos e formalizando o oligopólio do setor de pneus. Somente a indústria vai produzir, somente ela vai vender e somente ela vai importar. E tudo isso a que preço?

O impacto disso parece pequeno para o cidadão comum, que ao olhar para um pneu vê apenas um pneu e pronto, mas é muito grande para as empresas de transportes. Com o aumento de preços dos pneus os fretes e as tarifas vão subir.

Tenha em mente que o Brasil usa caminhão para transportar todo tipo de produto e mercadoria, e  a maioria dos brasileiros usa ônibus para se locomover. Quem move os caminhões são o combustível e o pneu e esses dois itens figuram entre os três maiores custos de uma empresa de transportes, fato que gera impacto direto no custo dessas empresas e, consequentemente no preço do frete – que será repassado imediatamente para os preços dos produtos que você consome.

Aqui, economicamente falando estamos dizendo que a inflação vai subir, que o seu poder de compra vai cair e tudo isso por quê? Porque o governo não entende que as ações que está por adotar implicarão em perdas sociais (mais desemprego), em perdas fiscais (redução na geração de impostos), em perdas financeiras (será menor o fluxo de negócios em toda a cadeia de transportes), e em perdas econômicas (a inflação vai subir), ajudada pelos aumentos de preços dos pneus.

O mais interessante é que ao analisar a possível aplicação da sobretaxa por dumping contra parceiros comerciais, esse excesso de protecionismo se baseia em dois pilares principais: o dano à economia (ou dano causal à indústria nacional), e os preços das exportações na origem.

Na indústria nacional não há nenhum dano sequer, caso contrário à indústria não estaria, ela mesma, importando pneus. Ela importa porque sua capacidade de produção é baixa e não tem capacidade para suprir a demanda interna. E os preços praticados na importação, se analisados os últimos três anos, mostram que indústria nacional importa, em alguns casos, a preços mais baixos do que os importadores independentes. Ou seja, não há dumping, e se há, a indústria nacional também o faz, pelos preços com os quais ela importa.

Mais uma vez o Brasileiro está prestes a pagar a conta, e bem salgada. Prepare-se!

Por Milton Favaro Junior* é diretor executivo da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP)