DEPOIS DO AÇO, MERCADO BRASILEIRO VIVE AGORA UMA GUERRA ENTRE FABRICANTES E IMPORTADORES DE PNEUS DE CAMINHÃO

Petronotícias – 23. JUL, 2021

Depois da guerra do aço, um problema do mercado que já está dando pano pra mangas. A entidade representativa das grandes multinacionais fabricantes de pneus, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), está reivindicando o retorno da alíquota de 16% do imposto de importação para pneus de caminhão. O governo federal zerou a alíquota do imposto de importação de algumas medidas de pneus no início do ano para beneficiar caminhoneiros autônomos e reduzir o custo do transporte de cargas. Mas para a Anip, a oferta dos pneus importados a preços mais baixos prejudica a indústria nacional, podendo ocasionar demissões. A entidade alegou ainda que as importações de pneus bateram recorde no mês passado. Para o presidente da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip) Ricardo Alípio da Costa, a ofensiva dos fabricantes nacionais contra os importados “é fruto de uma indústria mal-acostumada com reserva de mercado e aumento arbitrário de lucros pelo excesso de proteção, que fizeram do pneu brasileiro o mais caro do mundo”.

O presidente da Abidip diz ainda que o Brasil vive um momento em que sua indústria pneumática não atende a demanda interna porque optou em exportar boavfds parte de sua produção, surfando na onda do dólar alto. “Faltam várias medidas de pneus no mercado brasileiro e a importação é imprescindível para preencher essas lacunas suprindo parte da demanda de transportadores e montadoras de caminhões. Muitas montadoras, inclusive, estão tendo que fazer importação direta para evitar que a espera por pneus atrapalhe a linha de montagem. o momento já é extremamente desfavorável às importações, sendo inimaginável qualquer aumento de imposto”, detalhou.

Com a pandemia, o transporte de um contêiner Ásia-Brasil saltou da média histórica de US$ 2,3 para US$ 10 mil, sem perspectivas de recuo nos próximos dois anos. Segundo informações de Renan Pizzatto (foto à esquerda), gerente regional da maior empresa de intermediação de embarques de cargas no Brasil, a Asia Shipping, antes da pandemia o frete representava em média 2% do valor da carga, hoje em alguns casos passa de 25%. “Quase inviabiliza a importação de produtos que ocupam bastante espaço no contêiner e têm valor relativamente baixo, como os pneus. Para piorar, a disputa pelo embarque está tão acirrada que os armadores estão cobrando tarifa adicional para reserva de espaço nos navios, batizada de ‘premium fee’, que varia de US$ 1 mil a US$ 2 mil por contêiner”, disse.

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